março 31, 2005

Dérision


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Sonho não é mais que palavra de lonjura
Tombada na boca, o lastro
Dos dias

Sonho é o seio amargo
tingido o corpo, a chuva árida
Antes que o amor seja dilúvio

Nódoa que não mais respira,
O Sonho passeia as pernas decepadas –
Crianças por jardins moribundos.


Na imagem:
Dérision, autor não identificado

Posted by Andreia C. Faria at 06:42 PM | Comments (2)

Trofa recebe literatura infanto-juvenil

De 30 de Abril a 8 de Maio a Trofa junta autores tão amados dos mais novos como Alice Vieira ou o angolano Ondjaki. No I Encontro Lusófono de Literatura Infanto-Juvenil, representantes de oito países da lusofonia falam de como é escrever para jovens e adolescentes.


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Alice Vieira: a escritora encantou gerações de leitores

Olinda Beja, de São Tomé e Príncipe, e a brasileira Ana Maria Machado, vencedora do Prémio Hans Christian Andersen (o Nobel da literatura infanto-juvenil) são outras das presenças garantidas na primeira edição deste Encontro.

A juntar às exposições, concertos, artesanato, fotografia e artes plásticas, há colóquios subordinados a diversos temas. Assim, a 5 de Maio, os escritores falam das suas experiências em Eu, autor, me confesso. No dia seguinte, é a vez de se discutir a unidade, diversidade e os diálogos da literatura infantil lusófona.
Dia 7 estão em debate os mitos, crenças e fábulas na literatura infanto-juvenil.

Este evento conta com o Alto Patrocínio da Presidência da República e está previsto que venha a realizar-se anualmente. A 30 de Abril, quando se inauguram os Encontros, está também programada a abertura da V Feira do Livro de Trofa.

Posted by Andreia C. Faria at 12:03 PM | Comments (0)

março 30, 2005

Palavras para Basquiat


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O sangue lava-se com sangue


Por João Artur Santos

Posted by Andreia C. Faria at 09:09 PM | Comments (0)

Livro do Mês - A Estrada Branca, de J. T. Mendonça

Falar de poesia é inconsequente. A poesia fala por si. Este mergulho na dúvida essencial para que «o poema devolva o inexprimível» faz de A Estrada Branca, de José Tolentino Mendonça, um desses livros sem palavras em redor. Está lá tudo.


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Este livro é, de facto, uma estrada. O percurso das palavras faz-se a um e com Deus em silêncio, porque «o amor é uma noite a que se chega só» e o poeta quer restituir o inexprimível através do poema. Mas o poema é ritual fecundo de dúvida e não clarividência, dedo acusador do mundo.
A dúvida, no entanto, não impede o poeta de ler o seu tempo. O poema de abertura, Os Insignificantes, corta à faca a ilusão de segurança a que a nossa civilização se agarra: «O custo das casas/ por incrível que pareça/ sugere a possibilidade de uma outra vida/ a alma não mora debaixo do seu tempo/ traz de tão longe a fragrância/ de uma vegetação que cresce».

José Tolentino Mendonça é um homem ligado à Igreja Católica e Deus é omnipresente nas suas palavras ao emergir por momentos da Sua quase ausência. O esvaziamento do Seu sentido é algo que o incomoda e o poeta não tem pejo em dizê-lo: «Os orantes são mendigos da última hora/ remexem profundamente através do vazio/ até que neles/ o vazio deflagre». O modo como se fala com Deus, impessoal, automático, des-significado por séculos, é posto em causa: «rezar dever ser como essas coisas/ que dizemos a alguém que dorme/ temos e não temos esperança alguma».

É de realçar a elegância, a jovialidade da escrita de Tolentino Mendonça, que nos remete para um universo geminado com o de Eugénio de Andrade, a quem o livro é dedicado. Mesmo no desencanto há uma ponta de luz, mesmo nas referências mais jocosas não se lê amargura. Cada verso tem uma liturgia própria, um simbolismo. O desafio que o pioneiro desta estrada nos propõe é o de descerrar as palavras ensimesmadas, abri-las de sentido.


A Estrada Branca
de José Tolentino Mendonça
Colecção: Poesia Inedita Portuguesa
Editor: Assirio & Alvim
Número de páginas: 48


Na imagem: The White Road, por Rita Monaco

Posted by Andreia C. Faria at 03:55 PM | Comments (0)

Prémio de Literatura ITF/DST para Mário de Carvalho

Fantasia para dois Coronéis e uma Piscina, um dos livros mais falados de 2003, venceu o Grande Prémio de Literatura ITF/DST. Mário de Carvalho recebe o galardão a 2 de Abril, quando se realiza a Feira do Livro de Braga.


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Vítor Manuel Aguiar e Silva, José Manuel Mendes e Carlos Sousa Mendes constituiram o júri que atribuiu a o prémio a Mário de Carvalho, no ano em que é alargado a todo o território nacional.

O galardão, no valor de 15 mil euros, é atribuído pelo grupo económico ITF/DST, de Braga, e vai na décima edição. O prémio é rotativo e contempla num ano o género da poesia e no ano seguinte a prosa.

A Feira do Livro de Braga, a decorrer no Parque de Exposições, tem início a 1 de Abril. No dia seguinte, o galardão será entregue ao escritor lisboeta.

Lançado depois de um interregno de oito anos na carreira do escritor, Fantasia para dois Coronéis e uma Piscina foi um dos mais aclamados romances portugueses de 2003. Dois coronéis reformados, retirados no Alentejo, comentam o país. O quadro traçado é tragi-cómico.

Posted by Andreia C. Faria at 10:02 AM | Comments (1)

março 29, 2005

O amor perdeu o medo


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O amor perdeu o medo
E despiu o pejo das roupas
Eu saio de casa para que possas
Entrar
Na minha porta vazia para que
Sejas
O primeiro a ver o ombro
Beijado de sombra da minha
Solidão


Na imagem:
Cabeça de Perfil, por Manuel Jardim

Posted by Andreia C. Faria at 11:13 PM | Comments (0)

O regresso da menina do mar

O livro infantil de Sophia de Mello Breyner vai ser publicado na Tailândia, com ilustrações de Sudpai Mungtai. Entretanto, para os fãs portugueses da obra há também boas notícias: 45 anos depois de ter sido contada em disco, pela EMI-Valentim de Carvalho, A Menina do Mar vai ser reeditada.


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A Menina do Mar em palco, por F. La Féria


Foi David Mourão-Ferreira quem teve a ideia, em 1960, de gravar aquela que seria a primeira história portuguesa publicada em disco. O livro, esse, tinha sido lançado dois anos antes.
À música original de Fernando Lopes Graça, e sob a direcção de Artur Ramos, juntam-se as vozes de Eunice Muñoz, Francisca Maria, António David e Luís Horta. As vozes infantis, segundo a EMI, serão dos filhos de Sophia.

A tradução de A Menina do Mar para tailandês é um projecto de Ana Sofia Carvalho, do Centro Cultural Português de Banguecoque. Em Maio, as livrarias daquele país já disponiblizam a obra.


Sophia no MUITA LETRA

Posted by Andreia C. Faria at 12:09 PM | Comments (0)

Mário Cláudio inventa o olhar em Serralves

As Invenções do Olhar começam hoje em Serralves, com Gémeos, de Mário Cláudio, como ponto de partida. O vencedor do Prémio Pessoa vai orientar este cíclo dedicado ao diálogo entre a literatura e as artes visuais, que decorre até 14 de Junho.


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A O Comércio do Porto, Mário Cláudio explica que as doze sessões deste curso servirão para debater «com os alunos sobre as diversas relações que existentes entre as obras literárias escolhidas e as artes visuais», sejam elas pintura, escultura ou cinema. Para o escritor, será «interessante e aliciante para os "membros do clube" estarem em contacto com várias formas de expressão».

Gémeos, o mais recente romance de Cláudio, é o primeiro livro a ser analisado, mas o painel guardado para as próximas sessões é variado e abrange várias épocas e correntes literárias.
O Cristo de Velásquez, de Miguel de Unamuno, é a obra em debate na próxima semana. Rilke, Gertrude Stein, Jorge de Sena ou Marguerite Yorcenar são alguns dos autores cujas obras farão a ponte entre a escrita e as artes visuais.

Todas as terças-feiras entre as 19:00 e as 20:30 horas, até 14 de Junho, este Clube de Leitura reúne na Casa de Serralves.


Consulte aqui o programa

Posted by Andreia C. Faria at 11:39 AM | Comments (0)

março 28, 2005

Palavras para Basquiat


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Porque um anjo tem os haveres e fazeres mais crués ... ?


Por João Artur santos

Posted by Andreia C. Faria at 11:21 PM | Comments (1)

Porto prioritário para Instituto Cervantes

O novo director do Instituto Cervantes em Lisboa diz que marcar presença no «Norte de Portugal, e sobretudo na cidade do Porto» é um dos objetivos do seu mandato. Em entrevista a O Primeiro de Janeiro, Ramiro Fonte fala das iniciativas que estão a ser promovidas na cidade invicta e não põe de lado a hipótese de vir a ser construida uma sede do Instituto no Porto.


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Foto: O Primeiro de Janeiro


Traçando as linhas de acção do seu mandato, iniciado em Fevereiro, o director do Instituto Cervantes em Lisboa fala em «continuidade» do trabalho feito pelo seu antecessor, Manuel Fontãn del Junco, e destaca a região Norte do país como «prioritária» na política do Instituto.

Para além do apoio ao evento literário Correntes D' escritas, Ramiro Fonte diz que o Instituto tem «colaborado com a Biblioteca Almeida Garrett, com o Museu de Arte Contemporânea de Serralves, com a Faculdade de Letras do Porto» e que tenciona «continuar a apoiar as exposições que se fazem, por exemplo, no Centro Português de Fotografia, no Porto».

O Instituto Cervantes, destinado a promover a língua e literatura espanhola em todo o mundo, tem, segundo o director em Lisboa, «características especiais» em Portugal, devido à «proximidade existente entre a cultura espanhola e a cultura portuguesa», que faz com que «seja mais necessária a nossa presença».


Instituto Cervantes no Porto?

O desejo da existência de uma sede do Instituto na cidade invicta é assumido por Ramiro Fonte, que não descarta essa hipótese: «é uma velha aspiração e creio que o novo director do Instituto Cervantes [em Madrid], António Molina - que é também um galego, como eu - tem pensado nesta possibilidade».

Ramiro Fonte é poeta, ensaísta e professor, para além de ser membro da Real Academia Galega. Obras como Mínima Moralidade (1998) ou Os Meus Ollos (2003) fazem dele um dos mais importantes nomes da poesia espanhola contemporânea.


Leia a entrevista completa aqui

Posted by Andreia C. Faria at 01:11 PM | Comments (2)

Língua portuguesa discutida no Brasil

A presença da língua portuguesa no mundo ou o uso de estrangeirismos são alguns dos temas em debate no seminário A Língua Portuguesa no Mundo da Lusofonia, que começa hoje no Rio de Janeiro.


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Até 1 de Abril o Liceu Literário Português, no centro do Rio de Janeiro, é palco das problemáticas ligadas à lingua portuguesa. Para discuti-las estarão presentes especialistas de nove nacionalidades.

Está também prevista uma homenagem ao linguista e filólogo Joaquim Matoso Câmara Jr., cujo centenário do nascimento se comemora este ano.

Posted by Andreia C. Faria at 12:52 PM | Comments (3)

março 27, 2005

Dan Brown não dá descanso à I. C

A semana santa levou a Roma e ao Vaticano algumas centenas de pessoas que, em vez da Bíblia, traziam Anjos e Demónios debaixo do braço, desejosas de conhecer os locais relatados no livro. A Igreja Católica ainda não se pronunciou sobre a mais recente obra de Dan Brown, mas depois de ter criticado a temática de O Código Da Vinci, semelhante à deste livro, não é de esperar uma reacção benevolente.
Entretanto, durante uma homilia Pontifical da Ressurreição do Senhor, D. José Policarpo acusou hoje algumas pessoas, numa alusão clara ao escritor norte-americano, de «falsear a verdade histórica dos Evangelhos» e de «destruir a fé» católica.


tourists.jpg Foto: BBC


Segundo a bbc.news, centenas de turistas, principalmente americanos e britânicos, escolheram a Páscoa para realizar uma peregrinação não tanto ao Vaticano e mais aos locais onde o enredo de Anjos e Demónios decorre. Aos estrangeiros, juntam-se estudantes italianos, que se deslocam à Cidade Eterna em excursões como a Angels and Demons Tour.

Na ficção, Brown utiliza uma estátua do século XVII, de Gian Lorenzo Bernini, situada à entrada do Vaticano, como portadora de símbolos que levam aos Iluminatti, sociedade secreta que deseja destruir a Igreja Católica em vésperas da eleição de um novo Papa.


I. C. portuguesa contesta Brown

Na homilia de hoje, o cardeal patriarca de Lisboa, sem nunca mencionar o nome do escritor do best-seller O Código da Vinci, acusou algumas pessoas de «falsear a verdade histórica dos Evangelhos, chegando a acusar-se a Igreja de ter inventado a fé na Ressurreição e escondido a verdade histórica acerca de Jesus». Para D. José Policarpo, «a abordagem histórica de Jesus só é possível respeitando a historicidade dos Evangelhos» e, por isso, esta «moda» pretende mostrar Jesus Cristo «apenas como um homem, extraordinário porventura, mas sujeito aos limites da raça humana» e deve ser desacreditada, já que pode «destruir a fé» de alguns crentes.


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Brown tem motivos para sorrir: a controvérsia é boa publicidade


Recorde-se que há algumas semanas o cardeal Tarcisio Bertone, falando em nome do Vaticano, classificou as teses apresentadas n’ O Código..., especialmente a que se refere ao casamento de Cristo com Maria Madalena, de «vergonhosas e infundadas mentiras».
Anjos e Demónios, outro fenómeno de vendas, ainda não suscitou qualquer reacção por parte das autoridades católicas.


O Código... parte II

Robert Langdon regressa, em Anjos e Demónios, para identificar o símbolo inscrito no peito de um cientista brutalmente assassinado. Victoria Vetra, também ela uma cientista, acompanha o herói de O Código... num enredo entusiasmante que leva ao desmantelamento de uma organização secreta apostada em destruir a Igreja Católica.

A especulação em torno da religião é um dos trunfos da obra de Brown e tem fascinado os leitores de todo o mundo. Anjos e Demónios tinha sido concluído antes de O Código da Vinci, mas a sua publicação posterior assegura-lhe vendas fenomenais. A polémica em que os livros do norte-americano se vêem envoltos certamente ajuda a mantê-los nos "top" de vendas.


Dan Brown no MUITA LETRA

Posted by Andreia C. Faria at 10:19 PM | Comments (7)

A Arrecadação


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From the bottom of the pool, fixed stars
Govern a life.
, Sylvia Plath


Pensar na morte aos vinte anos ou é capricho ou sinal de que ela ronda. Aos vinte anos não se pensa na morte com a sobriedade dos velhos, resta ainda uma ponta de esperança na imortalidade, a dignidade do último pânico. Quando temos vinte anos, se corpo a corpo somos feito da matéria dos sonhos, não esperamos morrer. Abismamo-nos em pensamentos de morte por deleite, por necessidade, porque, como Orlando, devemos tomar a morte em pequenas doses para continuar a viver.

***

E então liberta-se de pó a arrecadação. Ao fundo, há um quarto e para lá chegar há que ultrapassar a antecâmara de viva malícia que é o papagaio verde. Os sobrinhos da avó Fortunata espreitam-na ao longe, fingindo jogar futebol sob as tílias do parque. Têm mais ou menos a sua idade e, apesar de saberem quem ela é, sempre parecem espantados por vê-la entrar.
Há triciclos do tempo em que os rapazes não cobiçavam mundo para além do pátio, colchões impregnados de urina infantil, velhos manuais escolares, calendários de anos desfeitos e velhos utensílios de cozinha que desprendem ainda o cheiro cozinhado de décadas. A fossa da casa familiar.
A menina bate à porta e a avó Fortunata deixa-a entrar. Não se impressiona com a atmosfera defumada por velas insones nem com o odor sofrido de pele velha a escamar. Está ali porque é boa, porque sabe que deve visitar aquela senhora sem marido nem filhos. Aos seis anos, tal solenidade é hipocrisia.
A senhora fá-la sentar e enche-a de presentes. Amêndoas de açúcar cor-de-rosa, anjos de gesso dourado, cadernos novos em folha que estão dispensados das aulas, a menina pode escrever neles o que lhe apetecer. À despedida, a senhora enfia-lhe no bolso, envergonhada, uma nota de quinhentos escudos dobrada em inúmeros pedaços. Mas entretanto ela viu os livros e por isso explica à avó Fortunata que já sabe ler. Em bicos de pés, escolhe da estante o volume com encadernação mais colorida e, mesmo com um punhado de amêndoas aconchegado nas bochechas, põe-se à prova. A avó Fortunata vela em silêncio a destemida arrogância da criança inteligente.
Ela ergue-se da cadeira com o livro debaixo do braço. Após tão esplendorosa representação, não tem de pedir autorização para o levar consigo. Lá fora, o palrar do papagaio é a senha que a liberta da compaixão pelo cadáver anunciado, acabado de lhe implorar, olhos rasos de lágrimas, que volte mais vezes.

Na imagem: Attic Trunk, por Jeanette le Grue

Posted by Andreia C. Faria at 03:28 PM | Comments (1)

março 26, 2005

Livros: quanto tempo até à publicação?

Desde o momento em que é apresentado à editora até ao momento em que é publicado, um livro pode ter de esperar dois anos. Esse tempo varia, no entanto, consoante o prestígio do autor ou a associação da obra a um acontecimento da actualidade. A jornalista Helena Sousa Freitas, da Lusa, falou com autores e responsáveis de diferentes editoras que explicam o processo de publicação.


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Joana Gonçalves, da Gradiva, diz que «existem livros que a editora tem interesse em publicar rapidamente, seja pela sua qualidade, seja pela proximidade de um evento com o qual a obra se relaciona». Um livro de José Rodrigues dos Santos, por exemplo, «não vai ficar à espera».
Caso a obra não se insira na «linha editorial» da Gradiva, «a resposta ao autor é dada em uma ou duas semanas». Se houver um interesse inicial, «o original é enviado aos colaboradores da Gradiva para leitura, passando o tempo a depender da agenda destes». Ou seja, entre mês e meio e um ano, é o tempo que um autor pode ter de aguardar para ver o seu livro publicado.

Já na Quasi, o tempo que a editora leva a decidir se tem ou não interesse na obra está «entre um e três meses». Para ser publicado, o livro espera «mais dois ou três meses e cerca de 15 ou 30 dias para a distribuição nas livrarias», explica Jorge Reis-Sá, responsável pela editora famalicense.


A importância de um nome

A consagração do autor é mesmo o principal motor de publicação de uma obra. Manuel Gusmão, que em Janeiro venceu o Prémio Dom Diniz, confessa que o seu primeiro livro de poemas «esperou dois anos até chegar às livrarias, mas agora aguardo poucos meses, menos de seis».
Quanto ao ensaio, o premiado autor de Migrações de Fogo explica que é um género mais moroso de publicar, já que «algumas editoras optam por se candidatar a subsídios de edição, o que as coloca na dependência dos prazos de candidatura e de resposta».
Gonçalo M. Tavares, por seu lado, considera que «a poesia e o teatro, devido aos poucos leitores, e os géneros literários mistos, por serem menos comuns, encontram maiores dificuldades de publicação».

A correspondência com acontecimentos actuais é outros dos factores que pode acelerar a publicação da obra. Teresa Rita Lopes dá o exemplo do seu livro A Nova Descoberta de Timor, que a Imprensa Nacional, «geralmente muito lenta», demorou cerca de três meses a editar. Estávamos na altura da independência do território.

Na data em que se assinala o Dia do Livro Português, os escritores nacionais que ainda não sairam da gaveta ficam a saber quanto tempo mais podem ter de esperar antes de verem os seus trabalhos nas montras das livrarias.

Posted by Andreia C. Faria at 11:57 AM | Comments (0)

março 25, 2005

Ressonância


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Ressonância

A nuca tíbia de cabelos
Indefinidos
Vogais em pauta enredadas
A indigência de um cheiro íntimo

A timbrada transparência da dúvida
Exercício de dedos limpos
Cegamente amando
Do piano as nódoas negras

Na lonjura dos dias intermédios
Um constrangimento arrepia as teclas
Queda – melodia de fragmentação
No sobrolho grave do tapete

Ela toca em pontas dos pés
O chão que a não ampara
Um incidente de olhares acelera
A térrea insubmissão da fuga


Na imagem: The Piano Player, por Seamus McKinlay

Posted by Andreia C. Faria at 05:14 PM | Comments (0)

Teixeira de Pascoaes em antologia de Cesariny

Poesia, prosa, ensaio e teatro que Teixeira de Pascoaes escreveu entre o final do século XIX e meados do XX com prefácio e organização do "surrealista dissidente": a antologia Poesia de Teixeira de Pascoaes é uma homenagem de Mário Cesariny à memória do amigo amarantino.


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Esta antologia, publicada pelo Círculo de Leitores, acompanha o percurso do poeta saudosista desde Belo (1896) ao póstumo A Minha Cartilha (1954). São cerca de 40 textos que dão ao leitor uma visão múltipla e abrangente sobre a personalidade artística de Teixeira de Pascoaes.

Em 1972 duas antologias do poeta amarantino haviam sido publicadas em separado. Agora, a Poesia de Teixeira de Pascoaes reúne os dois livros sobre a direcção de Mário Cesariny. O posfácio é de António Cândido Franco.

Co-fundador da revista A Águia, o poeta para quem o Universo «é a expressão cósmica da saudade» deixou, entre 1895 e 1952, ano da sua morte, uma extensa obra que engloba principalmente a poesia, mas também o ensaio, o teatro e prosa.

Posted by Andreia C. Faria at 01:11 PM | Comments (0)

Revista de Imprensa

Uma ronda pela semana literária.


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O Visionário que Ainda Surpreende, por Ana Navarro Pedro, no Público.

Comunidade de Leitores, por Pedro Mexia no Diário de Notícias.

O Marketing e a Literatura, por Pedro Mexia no Diário de Notícias.

Os Escritores não são Pessoas para Serem Levadas a Sério, entrevista a José Riço Direitinho, n´O Comércio do Porto. (link provisório).

Centenaire de Jules Verne: des passionnés du monde entier sur sa tombe, no Le Figaro.

A windmill I won't tilt at, por Simon Jenkins na Times Online.

Desperately Seeking Susan, por Terry Castle na London Review of Books.

After the Last Battle, por Margaret Atwood sobre o livro Visa for Avalon , de Bryher, na The New York Review of Books.

The Making of William Faulkner, por J. M. Coetzee, sobre One Matchless Time: A Life of William Faulkner, de ay Parini, na The New York Review of Books.

Posted by Andreia C. Faria at 12:56 PM | Comments (0)

março 24, 2005

Júlio Verne, o geógrafo da fantasia

O que é que ele não inventou?, podemos perguntar. Quando a máquina era mistério e esperança do Homem, ele fascinava ao falar de televisões, submarinos e de formas de alcançar a eterna juventude. Um século passado sobre a sua morte, o excêntrico escritor que fez meio mundo sonhar é um “souvenir” do passado ou tem ainda uma palavra a dizer?


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Jules Gabriel Verne (em Portugal, conhecido por Júlio) nasceu em Nantes a 8 de Fevereiro de 1828. Oriundo de uma família de marinheiros, o pequeno Júlio desde logo se deixou encantar pelo mistério do desconhecido. Nascia uma paixão que o acompanharia toda a vida: as viagens.
O pai escolheu para ele o curso de Direito e enviou-o para Paris, mas quando descobriu que o filho se dedicava mais ao teatro do que à lei deixou de o sustentar. Para continuar na capital francesa, Júlio tinha de escrever e vender as suas histórias. Em 18500, publica a sua primeira peça.
Em Paris, frequenta as livrarias e devora livros de geologia, astronomia e engenharia. Em 1863 publica o primeiro dos romances fantásticos que farão dele um escritor adorado e um homem rico, Cinco Semanas num Balão.
Antes, em 1857, tinha casado com Honorine de Viane Morel, viúva com duas filhas, e em 1961 nascia Michel Jean Pierre Verne, seu filho.

Contemporâneo de Victor Hugo, George Sand e Alexandre Dumas, a convivência com eles levou-o a seguir a mesma rota editorial de sucesso. O seu editor, Hetzel, colocava anualmente nas montras francesas o mais recente romance de Verne. Os seus livros eram um sucesso.
Pois como era possível que Júlio, que nunca estivera em África, descrevesse, em Cinco Semanas num Balão, com minúcia as paisagens, a fauna, a flora e as culturas daquele continente? Trabalho árduo de pesquisa e uma imaginação ímpar explicavam muita coisa, mas não o fascínio que desde logo incutiu nos seus leitores.


«O mundo possui seis continentes: Europa, África, Ásia, América, Austrália e Júlio Verne.», Claude Roy.

Hoje, percorrer o mundo de lés a lés em 80 dias não é tarefa difícil, mas era-o em 1872. quem consegue a proeza é Phileas Fogg , o metódico e obstinado “gentleman” inglês. Apesar das descrições geográficas e históricas das várias paisagens que Fogg atravessa, este romance, um dos mais célebres de Verne, é entre os seus o que mais ênfase dá à exploração psicológica dos personagens.
O impenetrável fundo do mar e um meio de transporte imaginário chamado submarino fazem as delícias dos leitores de Vinte Mil Léguas Submarinas, outra das obras de referência do escritor francês. É neste relato que surge, provavelmente pela primeira vez na literatura, a consciência de que é necessário proteger e respeitar aquela que os Homens anseiam dominar: a Natureza.
Em Viagem ao Centro da Terra é explorada a relatividade das noções espácio-temporais - relatividade que, arrisco-me a dizer, será uma das bandeiras do romance do século XX – num Universo que o Homem não domina. Mais uma vez, Júlio Verne inova, não só na exploração do fantástico como na temática do romance. Escusado será dizer que «o sexto continente» é o pai da Ficção Científica enquanto género literário.


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Em 1886, o seu sobrinho Gaston atinge-o no ombro com um tiro de pistola. As razões do ataque são desconhecidas, mas Júlio, que já não era jovem, viu-se à beira da morte devido a uma ferida que tardava em cicatrizar. O reverso da medalha deste episódio foi a aproximação entre o escritor e o seu filho, considerado rebelde e avesso às cogitações paternas sobre o seu futuro.
Mesmo na velhice, Júlio Verne não deixa de escrever e publicar, e talvez agora o faça com mais lucidez e pertinência do que em jovem. Os perigos da má utilização das novas tecnologias e as preocupações ecológicas eram prato forte dos seus últimos artigos.
A verdade é que o excêntrico fantasista (ou visionário?) que, mais do que preconizar as futuras inovações tecnológicas (cinema, televisão, naves, novos meios de comunicação) , sentiu o pulso dos desejos e aspirações da sociedade expectante na marcha do progresso (o bacilo biógeno, introduzido no organismo como travão do envelhecimento; a Sociedade de Alimentação ao Domicílio ou o apartamento ideal) esteve à frente do seu tempo ao prever as consequências da acção humana sobre a Natureza. No século XXI, enquanto raça e civilização, temos ainda muito a aprender com Verne.

Posted by Andreia C. Faria at 02:07 PM | Comments (1)

março 23, 2005

Coimbra quer ser Capital Mundial do Livro

A Câmara Municipal de Coimbra apresentou à UNESCO a candidatura da cidade a Capital Mundial do Livro em 2007. As infraestruturas, a tradição académica e o comércio livreiro justificam, segundo a autarquia, a atribuição da iniciativa à cidade.


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Em declarações à Agência Lusa, o presidente da Câmara de Coimbra diz que a candidatura da cidade a Capital Mundial do Livro vem no seguimento das actividades de promoção da leitura que se têm sido desenvolvidas. A criação da Casa Museu Miguel Torga, a aliar à tradição de uma das mais antigas universidades europeias provam, segundo Carlos Encarnação, que a cidade está à altura de organizar a iniciativa.

A existência da Biblioteca Geral, da Biblioteca Joanina (que intrega obras únicas no mundo), do Arquivo e da Imprensa, assim como a preponderância económica que o mercado livreiro tem em Coimbra, serão outros dos trunfos da candidatura portuguesa a um evento que já foi acolhido por Alexandria, Madrid, Turim ou Nova Deli. Além disso, a Casa da Escrita, inserida no projecto europeu Cidades Refúgio, vai acolher o escritor dissidente cubano Pedro Marqués de Armas e sua família.

A proposta chegou à UNESCO no passado sábado, último dia de entrega, já que a autarquia só tomou conhecimento da candidatura três dias antes. Caso Coimbra venha a ser Capital Mundial do Livro, há já vários eventos em preparação, como o lançamento do espaço Saber Ler ao Cubo, no Parque Verde do Mondego e a presença na cidade de autores Nobel da Literatura. Positiva ou não, a resposta da UNESCO deverá ser conhecida dentro de dois ou três meses.

Posted by Andreia C. Faria at 03:58 PM | Comments (0)

Transfiguração

Um poema de João Artur Santos.


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Transfiguração


A expansão dum rosto é terrível

Encosta-se o relevo da carne
ao arame
e tinge

Na outra mesma margem
o cabelo flutua na água


Imagem de Jean-Michel Basquiat

Posted by Andreia C. Faria at 03:15 PM | Comments (0)

O momento


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Agustina Honoris Causa: «Não é para melhorar o mundo que se trabalha. É para ter efeito sobre o nosso tempo, e conseguir uma resposta justa sobre aquilo em que nos interrogamos. Uma resposta justa delicia-nos como um beijo».
Eugénio de Andrade não esteve presente na cerimónia por motivos de saúde.

Posted by Andreia C. Faria at 01:14 PM | Comments (0)

Júlio Verne em papel de jornal

O centenário da morte de Júlio Verne é assinalado amanhã, mas o Museu Nacional da Imprensa, no Porto, antecipa-se com a inauguração da exposição Júlio Verne na Imprensa Portuguesa. Revistas, livros e primeiras edições da obra do geógrafo da fantasia podem ser vistas a partir das 15:00 horas de hoje.


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A exposição pretende ilustrar os momentos mais importantes da vida e obra do autor de Vinte Mil Légua Submarinas com meia centena de publicações nacionais e estrangeiras de imprensa e primeiras edições dos livros de Verne.

Expostos estarão, por exemplo, um original com capa dura colorida da primeira edição de Vinte Mil Léguas Submarinas ou A Volta ao Mundo em Oitenta Dias.

Júlio Verne nasceu em Nantes, na França, em Janeiro de 1828 e morreu a 24 de Março de 1905. Na sua obra, conjuga o gosto pelas viagens e pelas máquinas, tornando-se no precursor da ficção científica.


Livraria Virtual Júlio Verne

Posted by Andreia C. Faria at 12:42 PM | Comments (0)

março 22, 2005

Fingindo dormir

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Fingindo dormir

Para a gata Fofa

Esquecida sobre a mesa de trabalho
és a morna penumbra de um candeeiro
Eu deito-me a olhar-te com a desatenção
Que não guardo para a arte

O que sonhas é-me estranho como não o é
o teu corpo. O que sonhas eu acordo
no ciúme de uma carícia. Teu olho prismado
ri azul ao íntimo dos dias que te não cobiçam.

Não te cansa o meu silêncio?
É que tu não és
feita de rimas. Teu
coração simples bate
com a força
do mar afogando grutas


Imagem de Jay Ferrranti

Posted by Andreia C. Faria at 10:21 PM | Comments (0)

Uma caneta só para mim

Esta secção do MUITA LETRA tem estado parada por falta de textos (meus e de outros autores) para a preencher. No entanto, nunca é de mais lembrar que podem enviar-me os textos que desejam partilhar, desde que de dimensão adequada para serem publicados no blogue. Fico à espera de poemas, prosas, pequenos contos na minha caixa de correio: fumbler_me@hotmail.com.
Obrigada.

Posted by Andreia C. Faria at 10:15 PM | Comments (0)

Literatura portuguesa em Badajoz

Badajoz recebe a 9 e 10 de Abril o Congresso de Escritores Extremenhos. Na nona edição, o Congresso aborda os pontos de contacto entre a literatura portuguesa dos últimos anos e a obra de autores daquela região de Espanha. Mafalda Ivo Cruz e Ángel Campos Pámpano são alguns dos escritores ibéricos que vão marcar presença.


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Luís Landero fará o discurso de abertura do Congresso


Urbano Tavares Rodrigues, valter hugo mãe, Mafalda Ivo Cruz e Fernando Pinto do Amaral representam Portugal nos dois dias do Congresso, durante os quais serão acompanhados pelos espanhóis Serafín Portillo, Luís Landero (responsável pela cerimónia de apresentação), Luís Sáez Delgado e Ángel Campos Pámpano.

Este encontro é organizado pela Associação de Escritores Extremenhos e conta com os patrocínios do Instituto Camões e do Instituto Cervantes de Lisboa e do governo regional da Extremadura.

O Congresso, que se celebra a cada quatro anos, vai decorrer na Casa de Cultura Luis Landero de Alburquerque. Em discussão estará também o futuro da literatura extremenha num contexto de globalização.


Conheça o programa e inscreva-se aqui

Posted by Andreia C. Faria at 06:55 PM | Comments (0)

março 21, 2005

Agustina e Eugénio no aniversário da UP

No ano em que comemora o 94º aniversário, a Universidade do Porto atribui o grau de Doutor Honoris Causa a Agustina Bessa-Luís e a Eugénio de Andrade. A cerimónia de homenagem aos dois escritores, cujas vidas e obras são conotadas com a cidade invicta, está marcada para as 10:00 horas de amanhã no salão nobre da Faculdade de Ciências.


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O ensaísta Eduardo Lourenço será padrinho de Eugénio e o elogio do doutorando será feito por Maria João Reynaud, docente de Literatura Portuguesa na FLUP.
Arnaldo Saraiva, catedrático na FLUP, vai apadrinhar Agustina e Fátima Marinha, que também lecciona Literatura Portuguesa na instituição, vai ler o elogio da doutoranda.

José Meirinhos é o mestre de cerimónia e o momento musical estará a cargo do Grupo de Metais de Gaia, que interpretará as Cantatas de Johann Sebastian Bach.
A atribuição do grau de Doutor Honoris Causa aos dois escritores já estava anunciada desde Fevereiro, mas sem data marcada devido ao débil estado de saúde do poeta de Os Amantes sem Dinheiro.

Eugénio de Andrade nasceu na Póvoa da Atalaia, mas o Porto é a sua cidade adoptiva desde 1948. Agustina Bessa-Luís é natural de Amarante e o Douro marca presença na sua obra. Dois nomes maiores da literatura portuguesa com os quais a cidade cultiva uma forte afectividade.


Eugénio no MUITA LETRA

Agustina no MUITA LETRA

Posted by Andreia C. Faria at 10:18 PM | Comments (1)

Rui Costa vence Prémio Daniel Faria

Os poemas de A Nuvem Prateada das Pessoas Graves constituem o original eleito pelo júri do Prémio Daniel Faria. Rui Costa, o vencedor, tem agora a oportunidade de publicar, através da editora Quasi, a sua primeira obra.


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A publicação da obra e os direitos de autor constituem o Prémio, do qual não consta um valor pecuniário. Apesar de Rui Costa já ter publicado, anteriormente, na colectânea Jovens Criadores-97, o júri, constituido por Jorge Reis Sá, Luís Adriano Carlos, Tito Couto e Vera Vouga, decidiu atribuir o galardão a este trabalho pela sua «a qualidade de composição».

Para o jovem poeta, este prémio tem um sabor especial, já que considera que«Daniel Faria sempre procurou a transformação como poeta e como pessoa». Rui Costa é licenciado em Direito, mas escolheu o mestrado em Saúde Pública por ser uma área «mais ligada às pessoas».

O Prémio Daniel Faria foi hoje entregue em Penafiel. Em Maio, a Quasi vai publicar A Nuvem Prateada das Pessoas Graves.
Este galardão nasce de uma parceria entre a editora famalicence, a Câmara Municipal de Penafiel e os herdeiros de Daniel Faria.
Segundo O Diário de Notícias, o prémio será atribuído, pelo menos, durante os próximos nove anos.


Prémio Daniel Faria no MUITA LETRA

Posted by Andreia C. Faria at 09:45 PM | Comments (3)

Figueira: Festa em crescendo, futuro incerto

O IV Encontro de Poetas/Festa da Poesia leva hoje à Figueira da Foz alguns dos mais relevantes nomes da poesia nacional para participarem em debates, colóquios e sessões de declamação.
No ano em que o evento atinge a «maturidade», Luís Machado, organizador, avisa que esta edição «pode muito bem ser a última».


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Teresa Rita Lopes: a poetisa vai estar na Figueira


O programa da Festa inicia-se com o colóquio O Mistério da Criatividade na Grandeza da Palavra, sobre a obra de Natália Correia, David Mourão-Ferreira e Ramos Rosa. Ao colóquio, moderado por Paula Costa, Álvaro Manuel Machado, Fernando Dacosta, segue-se a mesa-redonda para debater as questões Que Poetas Somos? Que Poetas Queremos Ser?.
Ana Luísa Amaral, Armando Silva Carvalho, João Rui de Sousa, Manuel Gusmão e Teresa Rita Lopes são os poetas com presença garantida no debate.

Com Palavras Amo é o recital de poesia dedicado a Eugénio de Andrade que vai decorrer ao fim da tarde. À noite, A Poesia Serve-se Quente, com os poetas Ana Eduarda Santos, António Arnaut, Ernesto Melo e Castro, António Augusto Menano e Alexandre Vargas.

No âmbito da Festa, Joaquim Pessoa, Maria Lúcia Lepecki e Jacinto Simões são outros dos poetas que marcarão presença na Figueira da Foz.


«IV edição pode muito bem ser a última»

Em entrevista ao jornal Correio da Manhã, Luís Machado, Comissário da Festa, diz que os objectivos que se propôs desde a primeira hora, a criação de «novos públicos, divulgação, dinamização e descentralização cultural», foram atingidos, mas deixa no ar a ideia de que 2005 poderá ser o último ano do evento.


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Luís Machado mostra-se desanimado e diz que, em embora tenha «lutado pela internacionazação» do festival, não tem conseguido «a sensibilização dos patrocinadores». Apesar de juntar «figuras de prestígio», a Festa conta com «um orçamento irrisório (6750 euros)», o que pode ditar a sua extinção.
Esta não é a primeira vez que o organizador do evento se queixa da falta de apoios. Já em Fevereiro o MUITA LETRA tinha registado as críticas de Luís Machado à «falta de apoio das empresas» da Figueira.

O discurso do Comissário é, todavia, marcado por uma nota de esperança. Quando questionado sobre as expectativas que alimenta quanto a Isabel Pires de Lima, ministra da Cultura e doutorada em Literatura Portuguesa, Luís Machado confessa que «esta mulher do Norte» lhe trouxe «uma primavera de esperança».


Veja aqui o programa do evento

Posted by Andreia C. Faria at 10:02 AM | Comments (4)

Poema, o derradeiro acto íntimo

Escrever poesia é contar um segredo. É ser honesto como só se é com o próprio rosto no espelho, ou ser o fingidor da dor que deveras se sente. Mas esta honestidade é de si para si, do poeta para si mesmo. É um acto de autoconsciência que se partilha, em última instância, com o leitor, como um segredo só se partilha com um amigo. O poema é um acto de amor que não pode ser ensinado, mas demonstrado na intimidade.


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Esse carácter inimista, quase autista, da poesia não se coaduna com a existência de um Dia Mundial da Poesia. A poesia é o silêncio das palavras, um diálogo pessoalíssimo. Não se espalha pelas ruas das cidades quando chega a Primavera, não se canta, não se ensina aos meninos da escola. Os meninos da escola aprendê-la-ão, se assim tiver de ser.

Aliás, não concebo que toda a gente goste de poesia. Não que a veja como uma expressão elitista, destinada a uns poucos talentosos. Não. A poesia é uma forma de solidão e, como outra qualquer, é uma opção, uma inclinação pessoal do poeta e do leitor com quem o poema é partilhado.

Confesso, por isso, que a ideia de comemorar a poesia em bares, praças, tertúlias, sessões de declamação me parece alheia, se não contrária, à sua essência. Compreendo a necessidade de falar aos outros das coisas que nos apaixonam. Mas tenho pudor em tornar públicas as minhas paixões e o mais longe que me atrevo é a deitar ao papel, em silêncio, as palavras. Não me peçam é para as espalhar por aí, ainda por cima em data marcada.


Dia Mundial da Poesia no MUITA LETRA


Na imagem, Odalisque with Red Culottes, Henry Matisse

Posted by Andreia C. Faria at 12:29 AM | Comments (2)

março 20, 2005

Poesia a metade do preço na Assírio & Alvim

As livrarias Assírio & Alvim em Lisboa e no Porto fazem um desconto de 50% em todos os livros de poesia do catálogo da editora, durante o dia de amanhã. Uma forma de comemorar o Dia Mundial da Poesia que vai certamente agradar aos leitores.


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No Porto, a livraria Assírio & Alvim situa-se na Rua Miguel Bombarda, 531 (telefone 22.600 70 10, aberta das 15:00 às 19:00 horas).

Em Lisboa, os espaços da editora são na Rua Passos Manuel, 67-B (telefone 21.358 30 30, aberta das 10:00 às 13:00 horas e das 14:00 às 19:00 horas) e no Edifício Cinemas King, Av. Frei Miguel Contreiras, 52-E (telefone 21.847 99 92, aberta das 13:00 às 00:30 horas.

O catálogo dos livros disponíveis pode ser consultado aqui.

Posted by Andreia C. Faria at 11:46 PM | Comments (3)

jovens autores: individualidade supera afinidade geracional

A participarem no Salão do Livro de Paris, os escritores Dulce Maria Cardoso, José Luís Peixoto e Pedro Rosa Mendes recusaram a etiqueta de representantes da nova geração de escritores portugueses e explicam que o traço mais importante da sua escrita «é a sua individualidade».


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Ao afirmar que «a marca desta geração de escritores é a sua individualidade», José Luís Peixoto foi de encontro à opinião dos escritores portugueses, conotados como sendo da "nova geração", que o acompanharam no debate O Romance Português - A Nova Geração, que se realizou no Salão do Livro de Paris.

Dulce Maria Cardoso considera que o seu livro «e o do José Luís Peixoto são completamente diferentes e cada um tem as verdades do seu autor». A autora vai de encontro ao individualismo referido por Peixoto ao dizer que os seus livros nascem «da solidão».


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Pedro Rosa Mendes explica com o contexto histórico e cultural esta liberdade criativa que os escritores do pós-25 de Abril cultivam. Com a ausência de causas sociais e políticas que os escritores que viviam sob o espectro do Estado Novo partilhavam, é natural que a variedade de temas e a mundivisão dos ficcionistas portuguesas seja mais heterogénea. «Nessa altura, a realidade claustrofóbica obrigava os autores a escolherem lados e agora não temos essa responsabilidade», defendeu o autor de Ilhas de Fogo.


O romance é suficiente?

Num debate organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas e pelo Instituto Camões, Dulce Maria Cardoso e Pedro Rosa Mendes revelaram opiniões divergentes quanto à interacção entre a imagem e o texto literário.


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Enquanto o escritor e jornalista confessou que as viagens o fascinam, como o demonstra a sua obra, e que gosta de aliar a ilustração e a fotografia aos seus livros, Dulce Maria Cardoso disse que «o romance é suficiente» e que a imagem faz com que os leitores caiam no facilitismo, já que «se os romances tiverem fotografias, as pessoas não irão ler mais, será muito mais fácil». A autora de Os Meus Sentimentos acrescentou ainda que as viagens só lhe agradam quando se realizam «em frente ao computador».

Posted by Andreia C. Faria at 07:01 PM | Comments (0)

Abril traz Auster a Lisboa

Um dos mais badalados escritores e argumentistas da actualidade vem a Lisboa promover a nova tradução de A Música do Acaso. Na Culturgest, a 29 de Abril, Paul Auster vai falar da sua vida e obra e participar na sessão de leitura do livro.


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Aos 51 anos, o escritor norte-americano é já uma das referências da sua geração. Em Portugal, os títulos mais significativos da sua obra ficcional encontram-se publicados pela Presença e pela Asa.

O cinema é outra das paixões que alimenta, a par da literatura. Para além de escrever crónicas, poesia e romances, é argumentista e realizador. Lulu on The Bridge foi o seu primeiro filme.


Conheça aqui a obra de Paul Auster

Posted by Andreia C. Faria at 06:27 PM | Comments (0)

Poesia no Norte no Dia Mundial

Oficilamente, o Dia Mundial da Poesia é comemorado amanhã, mas são várias as tertúlias, sessões de declamação, exposições e recitais que já estão a decorrer. O MUITA LETRA mostra-lhe o mapa dos eventos no norte do país.


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Hoje, a partir das 23:00 horas, pode juntar Poesia com Chá no Mia Café, em Famalicão. O evento prolonga-se até amanhã, com o apoio da autarquia.

Em São João da Madeira, há Poesia à Mesa desde quinta-feira. A exposição Arte sob Poesia é acompanhada por recitais e Árvores Poéticas, que comemoram em simultâneo o Dia Mundial da Poesia e o Dia da Árvore.

As árvores estão também a ser conjugadas com a poesia em Matosinhos, onde 70 árvores serão plantadas, respeitando a estrutura de um soneto. É o Soneto Ecológico, projecto de Fernando Aguiar que envolve 140 pessoas. O soneto pode ser acompanhado durante o dia de hoje.

Em Santo Tirso o destaque vai para o poeta e artista plástico Artur Cruzeiro Seixas, identificado com o movimento surrealista português. O Museu Abade Pedrosa apresenta amanhã, a partir das 14:30 horas uma exposição em que podem ser vistos desenhos, colagens e pinturas que o autor realizou entre as décadas de 40 e 80. Em simultâneo será lançado o terceiro volume da sua Obra Poética.
Alberto Serra, membro da organização, diz que as 24 horas de Surrealismo pretendem «trazer para a rua a notável herança estética do surrealismo». Manuel António Pina, Rosa Alice Branco ou valter hugo mãe vão também estar presentes.

O Surrealismo é também a escolha do bar Labirintho, na Boavista, com o projecto literário Musa ao Espelho a dedicar àquela corrente estética a sessão poética de amanhã.

De Gondomar parte hoje um autocarro com destino a Moimenta da Beira, terra natal do poeta Luís Veiga Leitão. A homenagem partiu da editora e insere-se na Festa da Poesia, que se prolonga durante o mês de Março em Gondomar. Entretanto, um Autocarro Poético vai percorrer as ruas da cidade, onde se realiza também a Feira da Poesia, onde os livros podem ser adquiridos com 20% de desconto.

Por fim, o Museu da Imprensa, no Porto, apresenta a exposição Poesia em Vinil, com a mostra de 150 LP e 45 rotações de autores nacionais e estrangeiros.

Posted by Andreia C. Faria at 01:45 PM | Comments (0)

março 19, 2005

Aviso

O MUITA LETRA esteve parado durante os últimos dias devido a problemas técnicos. Pelo facto, peço desculpas a quem acompanha o blogue e prometo retomar o ritmo de publicação habitual. Obrigada.

Posted by Andreia C. Faria at 04:48 PM | Comments (4)

março 11, 2005

Revista de Imprensa

Os livros também são notícia. O MUITA LETRA diz-lhe o que se diz sobre escrita e escritores.


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Escrita para exorcizar memórias, sobre o livro Olhando o Nosso Céu, de Maria Luísa Soares, no Jornal de Notícias

«O amor ainda pode dar sentido à existência humana», entrevista de Fernando Pinto do Amaral ao Diário de Notícias, por Maria Augusta Silva

¿Quieres ver escribir a Julia Navarro?, entrevista à escritora na revista Qué Leer

La memoria pertinaz, entrevista a Mario Vargas Llosa no jornal El Comercio

A Casa das Centenas, crónica de Pedro Mexia no Diário de Notícias

A Casa das Centenas (2), continuação da crónica de Pedro Mexia

A solidão não é um produto especial do Japão», entrevista a Harikuri Murakami, por Bárbara Reis, no Público

Murakamimania, crónica de Isabel Coutinho no Público

The Riddles of Kafka, crítica ao livro Kafka de Nicholas Murray por Michael Maar, no The Times Literary Supplement


Posted by Andreia C. Faria at 04:34 PM | Comments (0)

Quem nos habita?

A resposta poderia ser Tanta Gente, Mariana. Neste desfiar de contos, Maria Judite de Carvalho convida-nos a visitar a memória, essa casa cheia onde se consomem as horas da solidão, de alguns homens e sobretudo mulheres comuns. Foi com esta obra de estreia que a escritora lisboeta teve o seu breve momento de reconhecimento público, para permanecer depois como a «flor discreta» da literatura portuguesa.


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Tanta Gente, Mariana é, de todos os que compõem o livro, o conto de maior fôlego e intensidade dramática e talvez por isso lhe dê nome. Aqui, a personagem é uma mulher divorciada, sozinha na Lisboa dos anos 50/60 e que, enquanto espera a morte, aprende a solidão que o pai lhe ensinara anos antes. Este texto é a "pérola" desta obra: por estar magistralmente escrito, por nos permitir, em meia dúzia de páginas, grande intimidade com a personagem e por lhe faltar, convenientemente, o sentido de absurdo de que os restante contos do livro vivem (e vivem bem).

Da leitura deste conto inicial fica-nos uma certeza: a autocomiseração existe e, quando existe, não a devemos trazer envergonhada. Não quero com isto dizer que a autora desfia as misérias físicas e existênciais de Mariana como uma carpideira, mas a verdade é que também não faz dela mais forte do que é, não faz dela aquilo que ela não é.
Destaque também para A Mãe, em que a mulher adúltera, apanhada entre um jogo de vaidades masculinas, deixa o orgulho do amante cair no ridículo ao suicidar-se. Ou para o conto a Vida e O Sonho, em que a a escritora explora mais abertamente o tema da dissonância entre os desejos de cada um e a realidade vivida.

Aprendizagem da solidão, a aceitação da vaidade masculina pelas mulheres e a discordância entre a vida e o sonho são as traves mestras deste conjunto de textos, em que as personagens, sobretudo mulheres, se dividem em dois grupos: as que são incapazes de tomar decisões e as que tomam as que o desespero torna inevitáveis.
Cada conto (a excepção é Tanta Gente, Mariana) é uma sucessão drástica, abrupta de pensamentos e acções, o que reforça o sentido de absurdo das histórias e das personagens (influências do existencialismo, talvez), a acompanhar com a melancolia de uma catadupa de finais infelizes.
O estilo de Maria Judite de Carvalho é desencantado e simples, ao ritmo das existências burguesas, sórdidas pela solidão e apatia de muitas das mulheres portuguesas de meados do século XX.


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Maria Judite de Carvalho (1921-1998) nasceu e morreu em Lisboa. Tanta Gente, Mariana, publicado em 1959, teve boa aceitação pela crítica, que o classificou de «impressionante revelação» (Álvaro Salema), ou disse não ter «precedentes na história literária das últimas décadas», (Ramos de Oliveira).
Apesar de um início de carreira promissor, a escritora foi caindo num esquecimento de que nem as excelentes novelas As Palavras Poupadas (1961) ou Os Armários Vazios (1966) a resgataram.

Em 1998, ano da sua morte, recebeu o Prémio Vergílio Ferreira e publicou a peça de teatro Havemos de Rir e a colectânea de poemas A Flor que Havia na Água Parada.
Reencontrar, no Dia Internacional da Mulher, a obra da «flor discreta» das nossas letras, como foi apelidada por Agustina Bessa-Luís, foi mais do que uma coincidência, e serviu para lembrar que alguns hábitos sexistas resistem ao passar das décadas.


Obra Completa de M. J. de Carvalho

Posted by Andreia C. Faria at 03:28 PM | Comments (0)

março 09, 2005

Artes e letras num único olhar

O curso de sensibilização para a leitura que a Universidade do Porto está a realizar tem mais uma sessão marcada para amanhã, às 18:00 horas. Distância Mínima: Ver e Ler, Ler e Ver procura aproximar as artes visuais e plásticas e a escrita através do trabalho de artistas que comprovam a reciprocidade dos campos.


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A iniciativa partiu do Instituto de Recursos e Iniciativas Comuns da Universidade do Porto e conta com o apoio da Editora Civilização. Na sessão de amanhã, a terceira do curso, a leitura, por António Durães, de um conto de Rubem A. dá o mote aos comentários de Dália Dias.

A sessão tem lugar na Auditório da Reitoria da Universidade do Porto e a duração de uma hora, com direito a estacionamento gratuito no parque da Reitoria. No final, os participantes terão direito a um certificado.

A próxima sessão do curso está agendada para 21 de Abril e conta com a participação de Pedro Tamen e Rosa Alice Branco. A 19 de Maio é a vez de Mário Cesariny, Bernardo Pinto de Almeida e António Durães unirem as artes e as letra. A última sessão de
Distância Mínima: Ver e Ler, Ler e Ver tem lugar a 16 de Junho e, por enquanto, está confirmada a presença de Beatriz Pacheco Pereira.

Inscreva-se aqui

Posted by Andreia C. Faria at 05:57 PM | Comments (0)

Poesia na rua em Santo Tirso

Desde Fevereiro que A Poesia está na Rua em Santo Tirso. Em Março, o programa incluí lançamento de livros, saraus poéticos e projecção de documentários. A inciativa mais abrangente é, no entanto, a recolha de poemas originais junto da população para a elaboração de um Livro Gigante.


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Deste projecto constarão as participações poéticas da população tirsense. Até ao Dia Mundial da Poesia, a 21 de Março o Livro Gigante passará por juntas de freguesia, escolas, associações e outros organismos do concelho para recolher os poemas de quem quiser participar, depois do que ficará exposto no átrio da Câmara Municipal.

Para além desta iniciativa, que procura promover a leitura e a criação literária junto da poluação, a Câmara Municipal de santo Tirso proporciona outros eventos durante este mês.


Consulte aqui o programa do evento

Posted by Andreia C. Faria at 02:20 PM | Comments (0)

março 08, 2005

Julia Navarro escreve romance em directo pela internet

Através do site www.que-leer.com quem quiser poderá acompanhar, em directo e ao vivo, Julia Navarro na escrita de La Biblia de Barro. A escritora espanhola pretende partilhar com os leitores o processo criativo, lendo os seus comentários e respondendo aos seus e-mails.


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O processo de escrita em directo e ao vivo de La Biblia de Barro será dividido em duas sessões. A primeira realiza-se a 10 de Março, tendo como título La Biblia de Barro - Verdade ou Ficção; a segunda sessão, a 15 deste mês, versa sobre o tema O Saque de Obras de Arte em Tempos de Guerra. Porque «os livros, afinal, são de quem os lê» e a escritora quer «estabelecer um contacto mais directo com o leitor».
Neste projecto inovador, Navarro conta com o apoio da revista literária espanhola Qué Leer, que disponibiliza o seu site na Internet para que os ciberleitores a possam visualizar em pleno processo criativo.

A escritora e jornalista admite estar habituada a ser lida diariamente por milhões de pessoas, mas diz-se «curiosa» quanto ao resultado desta experiência, já que «é a primeira vez que se faz uma coisa destas».
Navarro garante que o facto de ser seguida em directo e interpelada pelos leitores não a incomoda, pois possuí «uma enorme capacidade de concentração e abstracção».

A autora do best-seller A Irmandade do Santo Sudário demostra mais uma vez a sua astúcia: após lançar o primeiro romance - que já estaria escrito antes de O Código da Vinci, de Dan Brown, andar pelas bocas do mundo - em 2004, na crista da onda do fenómeno policial-religioso, a escritora explora agora as potencialidades da Internet para dar visibilidade ao seu trabalho.

Posted by Andreia C. Faria at 09:06 PM | Comments (0)

Cadernos de Poesia meio século depois

Os Cadernos de Poesia nasceram em 1940 para tornar «só uma» as várias correntes literárias em voga no país. Publicada até 1953, a revista foi palco da evolução poética de Eugénio de Andrade, Jorge de Sena ou Sophia de Mello Breyner e marcou as gerações futuras. A editora Campo das Letras publica agora os cadernos numa reprodução fac-similada, com direcção de Luís Adriano Carlos e Joana Matos Frias.


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Jorge de Sena, um dos impulsionadores dos Cadernos

Os Cadernos de Poesia juntaram, nas décadas de 40 e 50 do século passado, vários autores e estéticas literárias com o intuito de «arquivar a actividade da Poesia actual», como se explicava na primeira série da revista, publicada entre 1940 e 1942 com a direcção de Tomaz Kim, José Blanc de Portugal e Ruy Cinatti e da qual resultaram cinco números antológicos.

A segunda série, datada de 1951, juntou Sena e José Augusto França a José Blanc de Portugal e Ruy Cinatti, que se mantinham desde o início, para a edição de sete números não antológicos. Nos dois anos seguintes, os organizadores da revista deram continuidade ao projecto e lançaram os últimos três fascículos dos Cadernos....

Foram, ao todo, quinze números em que participaram pós-simbolistas modernistas, presencistas, neo-realistas e autores afectos a outras estéticas. Trabalhos de Fernando pessoa e Teixeira de Pascoaes juntaram-se aos de Fernando Namora, Eugénio de Andrade, Casais Monteiro, José Régio, Sophia de Mello Breyner ou Saul Dias, entre outros, na publicação que era a montra do que então se fazia entre nós e que teria uma forte influência sob os escritores futuros.


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A edição fac-similada que a campo das Letras lança agora reproduz os exemplares pertencentes ao poeta Albano Martins e visa facilitar a pesquisa por poemas e por autores através de três índices (um de autores, um de títulos e um geral).

Esta publicação insere-se na colecção Obras Clássicas da Literatura Portuguesa Séc.XX e é patrocinada pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas/ Ministério da Cultura.


Saiba mais sobre esta publicação

Posted by Andreia C. Faria at 05:29 PM | Comments (0)

Vargas Llosa com prémio e novo romance

O escritor peruano foi galardoado, no início deste mês, com o Irving Kristol Award 2005 e já adiantou que o seu próximo livro, Travesuras de la Niña Mala, está quase concluido. A «sucessão de contos» que compõe o romance ocorre em épocas e locais distintos, mas inscreve-se «numa história global», explica Mario Vargas Llosa.


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O título do livro em que se encontra a trabalhar é ainda provisório, como explicou Vargas Llosa em entrevista ao jornal peruano El Comercio, adiantando que o ponto de partida para este livro é «a memória», que fornece sempre «imagens muito férteis sobre as quais fantasiar».

Quando questionado sobre a estrutura de Travesuras de la Niña Mala, o escritor peruano explica que «é um romance composto por uma sucessão de contos: cada capítulo [...] pode ser lido como um relato independente e, ao mesmo tempo, como capítulo de uma história que engloba todos estes relatos, [...] que ocorrem em cidades e épocas distintas». Apesar de ter aproveitado as suas constantes viagens (Llosa vive entre Lima, Paris, Londres e Madrid) o livro «não é de todo autobiográfico».

Nesta entrevista, o mais popular escritor peruano da actualidade fala dos seus autores favoritos (Flaubert, Faulkner, Cervantes, Tolstoi ou Baudelaire fazem parte das suas paixões literárias) e da situação política do seu país.
O escritor defende que o Presidente Toledo deve terminar o seu mandato em vez de desistir a meio, como pretendem os seus opositores, já que o país «tem uma democracia muito frágil e a pior forma de a conservar é alterar as regras do jogo [...], que é o fundamental numa democracia.»
No entanto, Llosa considera haver «muitos corruptos» no actual Governo e acusa os nacionalismo de terem «atrasado e empobrecido» o Perú.


Trabalho e Prémios

Vargas Llosa terminou no ano passado um ensaio sobre Victor Hugo e neste momento dedica-se ao novo romance.
O Irving Kristol Award foi-lhe atribuído dia 2 de Março, nos Estados Unidos, pelo Council of Academic Advisers.

O autor de A Cidade e os Cães já foi alvo dos mais honrosos prémios da literatura hispânica e mundial: em 1994 foi-lhe atribuído o Prémio Crevantes e três anos mais trade o norte-amerciano National Book Critics Circle Award for Criticism.

Posted by Andreia C. Faria at 12:06 PM | Comments (0)

março 05, 2005

Garcia Marquez: 60 mil exemplares para começar

Memórias das Minhas Putas Tristes, que a Dom Quixote lança no mercado nacional dia 18, terá uma primeira tiragem de 60 mil exemplares. O novo romance de Gabriel García Márquez é já um best-seller anunciado e a promoção do livro incluirá algumas «iniciativas inéditas» por parte da editora.


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Aquele que poderá sem o derradeiro romance de "Gabo" promete grandes vendas entre nós. Ricardo Machaqueiro, da Dom Quixote, revelou à Agência Lusa que esta «será uma das maiores primeiras edições de sempre de um autor estrangeiro no mercado nacional» e promete «iniciativas inéditas» para chamar a atenção dos lisboetas para o livro. O responsável pela editora não revelou pormenores, mas adiantou que «será uma iniciativa que envolverá toda a cidade de Lisboa, procurando vivenciar o universo do escritor colombiano».

O novo livro do Nobel da Literatura, que já não presenteava os seus admiradores com um romance desde Notícia de um Sequestro, já vendeu um milhão de expemplares em Espanha. Nas ruas de Bogotá, antes mesmo da publicação oficial, já se encontravam à venda cópias ilegais do livro do escritor colombiano.
Após ter atingido os países hispânicos, a "Gabomania" parece ter chegado a Portugal.


García Márquez no MUITA LETRA

Posted by Andreia C. Faria at 03:34 PM | Comments (1)

março 04, 2005

Agustina relembra a infância

O Soldado Romano, o mais recente livro de Agustina Bessa-Luís, foi hoje apresentado numa escola do concelho de Vila do Conde. Em conversa com os alunos, a escritora falou do «prazer» que foi regressar à sua infância, enquanto trabalhava neste romance infanto-juvenil autobiográfico, e disse que «ser escritor é uma aberração».


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Os alunos das escolas EB 1 de Bagunte, de Outeiro Maior e EB 2/3 Carlos Pinto Ferreira, de Vila do Conde, juntaram-se para ouvir Agustina Bessa-Luís falar do seu novo livro, da sua própria infância e do ofício de escritor.
A escritora, que durante a infância passava férias na Casa de Cavaleiros, em Outeiro Maior, começou por referir que O Soldado Romano é fruto de «memória que veio à superfície» e que «foi um prazer voltar a este lugar através das palavras».

O que é necessário para ser escritor? Esta foi uma das perguntas mais repetidas pelos alunos, que não deixaram de aproveitar a oportunidade de interpelar uma das mais consagradas autoras nacionais. Descontraída, Agustina explicou que, no seu caso, escrever é um acto «mecânico, nunca emocional», que requer um «disciplina» que não lhe falta, e que pode ser interrompido em qualquer ponto, já que trabalha «com muita facilidade».
A definição mais curiosa que Bessa-Luís deu de quem escreve foi a de que «ser escritor é uma aberração», já que «nasce-se escritor, como se nasce com o nariz de determinada forma».


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Uma das professoras presentes considerou o contacto entre a autora d' A Sibila e os alunos «extremamente interessante para incentivar as crianças para a leitura». A directora da Biblioteca Municipal José Régio, Marta Miranda, disse, por sua vez, que esta visita contribuiu para «dessacralizar um pouco a figura do escritor, [...] que são pessoas comuns, apesar de terem um dom extraordinário».


Agustina com agenda preenchida

Aos 83 anos, a escritora continua imparável. O rítmo de publicação tem sido acelerado e Agustina não nega, em declarações ao jornal O Comércio do Porto, que tem tido «conferências, visitas e muito trabalho». As viagens também se mantêm e, já na próxima semana, a República Checa é ponto de paragem da escritora.


Agustina Bessa-Luís no MUITA LETRA

Posted by Andreia C. Faria at 11:25 PM | Comments (0)

Dan Brown: Langdon regressa para salvar Vaticano

Anjos e Demónios é a mais recente publicação de Dan Brown, que faz reviver Robert Langdon, desta vez para gerir as tensões em vésperas de eleição de um novo papa e evitar a destruição do Vaticano por uma sociedade secreta.
A Bertrand, que adquiriu os direitos da nova obra de Brown para Portugal, prevê que os 70 mil exemplares postos à venda esgotem dentro de um mês.
Depois da popularidade alcançada por O Código Da Vinci, o escritor norte-americano promete confirmar o fenómeno da ficção em torno da Igreja Católica.


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As 39 livrarias Bertrand existentes em todo o país esperam vender pelo menos 70 mil exemplares de Anjos e Demónios no mês de Março, em que a obra surge pela primeira vez nos escaparates. De momento, 20 mil exemplares já se encontram a caminho das lojas da editora, e Paula Nascimento, responsável pela Bertrand, disse, em declarações ao jornal Público, que os livros vendidos deverão ser «quase tantos como de O Código Da Vinci».

A obra, lançada em Abril de 2004, vendeu em Portugal 350 mil exemplares. Por todo o mundo, foram 17 milhões os que levaram para casa o controverso segundo livro de Dan Brown.


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Fórmula mantém-se

Para além do personagem central de Anjos e Demónios ser o mesmo do livro anterior, as semelhanças entre as duas obras não se ficam por aqui: os Illuminati planeiam atacar o Vaticano durante a realização de um Consílio que elegerá um novo Papa. Seguindo as pistas deixadas pela sociedade secreta, Robert Langdon, acompanhado por uma atraente cientista, acaba por salvar a Igreja Católica da destruição.

Escrito em 2000, Anjos e Demónios, tal como as obras anteriores de Brown (Digital Fortress e Deception Point que, em 2004, estiveram em simultâneo no top de vendas do The New York Times), ancora-se ao sucesso de O Código Da Vinci para conseguir boa aceitação por parte do público. A aposta já está ganha.


Dan Brown no MUITA LETRA

Posted by Andreia C. Faria at 10:32 PM | Comments (0)

Revista de imprensa

De que falam jornais e revistas quando falam de literatura? O MUITA LETRA deixa-lhe algumas pistas.


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Jesus é um mistério fascinante, ainda em aberto, entrevista de António Marujo, do jornal Público, a José Tolentino Mendonça.

O cavaleiro irónico de eterna figura, no Diário de Notícias.

Erotismo sexista destrói a escrita das mulheres, crítica ao livro Uma Mulher Nua, de Lola Beccaria, por Maria Teresa Horta, no Diário de Notícias.

Page One: Where New and Noteworthy Books Begin, na Poets & Writers.

The Written Image: Walt Whitman , na Poets & Writers.

Jane Austen and the Enlightnment, por Peter Knox-Shaw, no The Times Literary Supplement.

Authors in the front line: Martin Amis, no Times Online.

My Secret Stash of Books on Tape, por Thomas H. Benton em The Chronicle.

D H Lawrence: The life of an outsider, by John Worthen, por D J Taylor, no The Independent Online.

Joyfully surfing the waves of confusion: Joanna Kavenna reviews On Literature by Umberto Eco, por Joanna Kavenna no Arts.Telegraph.

The Best American Liturgy: how Contemporary American Poets Are Denaturing the Poem,
Part IX
, por Joan Houlihan no The Boston Comment.

Paradise is paper, vellum and dust, por Ben Macintyre no Times Online.

Don Quixote at 400: Still Conquering Hearts, por Ilan Stavans, no The Chronicle.

The Little Prince, sobre Hans Christian Anderson no Times Online.

The Classics in the Slums, por Jonathan Rose no City Journal.

Posted by Andreia C. Faria at 12:17 PM | Comments (0)

março 03, 2005

H. C. Anderson: Portugal prioritário nas comemorações do bicentenário

Portugal é um dos trinta países que a Dinamarca elegeu como «prioritário» nas comemorações do bicentenário do nascimento de Hans Christian Andersen. A fadista portuguesa Mariza foi a eleita pelo representante diplomático da Dinamarca em Lisboa para divulgar entre nós a obra do autor dos contos infantis que todos conhecemos. Além disso, estão já programadas várias formas de assinalar, no nosso país e por todo o mundo, os duzentos anos sobre o nascimento do escritor.


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Theis Truelsen, representante diplomático dinamarquês em Portugal, escolheu a fadista Mariza para promover a obra de Andersen por ser «uma personalidade de relevo na vida cultural portuguesa e muito conhecida além fronteiras», acresecentando que «no fado, tal como na obra de Hans Christian Andersen, há uma melancolia de forma poética que se tornou universal».

Em 1866 o escritor passou três meses em Lisboa e por isso a Fundação Hans Christian Andersen, criada especialmente para assinalar o bicentenário e patrocinada pela Raínha Margarida II, considera que Portugal é um «país prioritário» nas comemorações.
A Fundação vai também patrocinar a publicação do conjunto das obras de Hans Christian Andersen pela editora Gailivro.

Os duzentos anos do nascimento do escritor estão a ser comemorados internacionalmente. A juntar-se a Mariza, personalidades mundialmente conhecidas como Isabel Allende, Susan Sarandon, Suzanne Vega ou Pelé vão ser embaixadores de Andersen nos respectivos países.


Outras iniciativas

Em Portugal as comemorações do bicentenário vão incluir várias iniciativas. O escritor dinamarquês será objecto de vários filmes animados, criados pela Castello-Lopes Multimédia para serem difundidos no canal televisivo a 2:.

O autor de A Pequena Sereia servirá igulamente de inspiração a um vinho, já que Hans Kristian Jorgensen, proprietário da Sociedade Vinícola Portuguesa Cortes de Cima, irá produzir um lote com o seu nome. Os lucros da comercialização do vinho reverterão a favor do combate ao analfabetismo, através da Fundação HCA-abc.

Por fim, entre Março e Junho o município de Odesa, de onde o escritor é natural, organiza em Lisboa, Sintra e Setúbal uma exposição itinerante sobre a sua vida e obra.

Consulte aqui a cronologia bibliográfica de Andreson

Posted by Andreia C. Faria at 05:31 PM | Comments (0)

Mario Luzi: a itália perdeu um poeta

Mario Luzi foi encontrado morto em casa pelos familiares, esta segunda-feira. Deputado vitalício, especialista em literatura francesa e tradutor, o «poeta da Toscância» tinha 90 anos. A causa da sua morte não foi divulgada.


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Os primeiros poemas de Luzi são marcados por uma forte presença lírica. La Barca, de 1935, é a sua primeira obra e vai abrir caminho para novas explorações. Cinco anos depois, Avvento Notturno leva-o ao hermetismo italiano, de que se estabelece como figura de proa.

O «eterno candidato ao prémio Nobel», como é conhecido no seu país (Luzi já foi candidato ao galardão da Academia sueca por seis vezes) rompe com esta estética em 1957, aquando da publicação de Onore del Vero. Antes, lançara Primizie del Deserto, livro conotado com o existencialismo.

A sua obra é atravessada por várias estéticas e temáticas. Colaborou com várias revistas literárias, especializou-se em teoria e crítica literária e em literatura francesa. O simbolismo de Mallarmé foi, aliás, uma das suas grandes fontes de inspiração. A tradução de obras de William Shakespeare, Samuel Taylor e Racine também fazem parte do seu trabalho.

Luzi é um dos poetas mais populares de Itália e foi designado senador vitalício pelo Presidente Carlo Azeglio Ciampi, a 14 de Outubro passado, quando estava prestes a completar 90 anos.

Conheça alguns poemas de Mario Luzi

Posted by Andreia C. Faria at 10:46 AM | Comments (0)

março 02, 2005

Literatura com música em famalicão

As primeiras e as terceiras terças-feiras de cada mês vão ser de poesia e música em Famalicão. Até Setembro, pelas 21:00 horas, vários espaços do concelho acolhem a Festa da Poesia e do Conto, que conta com declamação de poesia, leitura de contos, música e debates.


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Mário Cesariny, um dos artistas celebrados

A Festa da Poesia e do Conto, organizada pela Câmara de Famalicão, vai evocar a vida e obra de escritores como José Régio, Cesário Verde, Pablo Neruda, Mário Cesariny, Álvaro Campos, Miguel Torga ou António Lobo Antunes.

A leitura de poemas e contos originais e a música ao vivo são outros dos pratos fortes do evento. O cinema e a actualidade política, entre outros assuntos, não ficam de fora, já que o intervalo dos espectáculos dará lugar ao debate e à reflexão.

A próxima sessão da Festa realiza-se a 15 de Março, no Mia Café, à Rua Dr. Francisco Alves.

Posted by Andreia C. Faria at 01:07 PM | Comments (0)

Ana Hatherly vence Prémio da Crítica

O Prémio da Crítica da Associação Portuguesa dos Críticos Literários distingue Ana Hatherly pelo conjunto da sua obra, a pretexto da publicação de O Pavão Negro. O prémio, relativo a 2003, só agora é atribuído porque a APCL foi constituída recentemente.


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A vencedora confessou, em declarações ao jornal Público que esta condecoração «foi uma surpresa», mas não deixa de considerar que é «uma grande honra considerando todos aqueles que, antes de mim, já receberam este prémio.».

O Prémio da Crítica 2003 é financiado pela Caixa Geral de Depósitos e tem o valor de 5 mil euros. O júri, constituído pelos críticos literários e membros da APCL Carlos Jorge Figueiredo Jorge, Manuel Simões e José Fernandes Tavares, atribuiu-o por unanimidade a Ana Hatherly.
Em edições anteriores do prémio, Miguel Torga, José Cardoso Pires, Sophia de Mello Breyner e David Mourão-Ferreira foram alguns dos escritores galardoados.

A poetisa, romancista, ensaísta, tradutora, realizadora e artista plástica nasceu no Porto em 1929. Foi uma das principais dinamizadoras do grupo de Poesia Experimental, durante as décadas de 60 e 70.
Em 2000 foi-lhe atribuído o Prémio de Ensaio da Associação Portuguesa de Escritores e, um ano depois, o Prémio de Poesia do PEN Club.


Ana Hatherly no MUITA LETRA

Posted by Andreia C. Faria at 10:06 AM | Comments (0)

março 01, 2005

Roteiro de Março

A literatura acontece no Porto.


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- Dia 2: Shakespeare no Século XXI, laboratório de escrita criativa, Escola Secundária 3 Garcia de Orta, 20h00 - 23h00.

- Dia 3: Apresentação de O Silêncio das Carpideiras, de Miguel Miranda, pelas 21:30 h na Biblioteca Municipal Almeida Garrett.

- Dia 7: Qual é a Mensagem?, atelier infantil, interpretação e leitura de textos medievais, Casa do Infante - Arquivo Histórico.

- Dia 11: Os Encantadores de Palavras - Palavras à Solta, poesia de diversos autores sobre o tema "Os gatos", Casa da Cultura de Paranhos, 21h30.

- Dia 16: Virginia Woolf e Bloomsbury, Centenário do Grupo de Bloomsbury e da Carreira Literária de Virginia Woolf, Anfiteatro Nobre da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Inscrições aqui.

- Entre 7 e 24 de Março: exposição alusiva ao Centenário do Grupo de Bloomsbury e da Carreira Literária de Virginia Woolf, Biblioteca da Faculdade de Letras da U.P

- Dia 19: Herbário da Poesia, atelier infantil, construção em família de um herbário com poesia, jardins do Palácio de Cristal, 10h30 - 12h30.

- Dia 22: O Clube das Chaves no Trilho Dourado, atelier infantil, pedipaper em torno do livro, programa familiar, participantes entre os 8 e os 12 anos acompanhados por um adulto.


Para mais informações consulte a Agenda do Porto.

Posted by Andreia C. Faria at 10:46 PM | Comments (0)

No Escaparate em Março - Poesia

Conheça a poesia que as editoras têm para oferecer em Março.


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Dom Quixote

Algarve, Todo o Mar, (Org. de Adosinda Providência e Madalena Torgal)


Assírio & Alvim

Poesia em Viagem, Blaise Cendrars


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Poemas, Pier Paolo Pasolini

Diário Flagrante [Poesia], Fernando Alves dos Santos

Manual de Prestidigitação (2ª edição), Mário Cesariny

Antologia do Cadáver Esquisito (2ª edição), Mário Cesariny

A Estrada Branca, José Tolentino Mendonça


Asa

Instantes. Permanência, Agripina Costa Marques

Passagens
Ciclo do Cavalo
Do Domínio Plástico
Os Quatro Elementos
Os Signos da Amizade
Poemas da Resistência
, António Ramos Rosa


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Posted by Andreia C. Faria at 10:22 PM | Comments (0)

No escaparate em Março - Ficção

Saiba o que pode encontrar este mês nas livrarias.


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Editorial Notícias

O Reino Encantado, Mário Ventura

O Farol do Fim do Mundo, Júlio Verne (texto inédito em Portugal - edição comemorativa do centenário da morte do autor)

Renascer em Córdova, Luís Vieira da Mota (Prémio Literário Vasco
Branco, da C.M. Aveiro)


Editorial Presença

Sem Nome, Helder Macedo

Quimera, Valerio Massimo Manfredi

Mau Dia Para Conquistar Um Herdeiro, Wendy Holden

Desaparecido Para Sempre, Harlan Coben

Quero Ser Uma Vedeta Famosa, Jacqueline Wilson

O Plano Diabólico - As Crónicas de Spiderwick, Tony DiTerlizzi e Holly Black

Neverwhere - Na Terra do Nada, Neil Gaiman

Uma Outra Maneira de Ser, Elizabeth Moon

Guerra e Paz - Livro I, Lev Tolstói

Pensar É Transgredir, Lya Luft


Oficina do Livro

Escritório, Marta Medina

O Caso da Rua Direita, Carlos Fonseca


Livros do Brasil

O Regresso, Jane Rogers

As Verdes Colinas de África, Ernest Hemingway

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Nove Meses, Sarah Ball

A Escolha do Ladrão, Lawrence Block

O Alquimista de Neutrónio-4, Peter F. Hamilton


Relógio D’ Água

O Tempo Reencontrado - Em Busca Do Tempo Perdido, Vol. VII, Marcel Proust

O Mar, o Mar, Iris Murdoch

Jakob Von Gunten, Robert Walser

Os Subterrâneos, Jack Kerouac
(tradução de David Furtado)

Mulheres Apaixonadas, D. H. Lawrence

O Mensageiro Diferido, Rui Nunes (reedição com alterações)

O Sentido da Neve (crónicas), Ana Teresa Pereira

Temas e Debates

Este Lado Para cima, Holly Fox

As Três Bruxas, Terry Prachett

Se Ninguém Falar das Coisas Maravilhosas, Jon McGregor


Gailivro

Paixão no Lago, Thomas Christopher Greene


Caminho

No Antigamente na Vida, José Luandino Vieira

Asa

Os Filhos, Dan Franck


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O Único Amante, Éric Deschodt e Jean-Claude Lattès

O Jardim das Delícias, João Aguiar

As Paixões de Júlia, Somerset Maugham

Perry Mason - O Caso da Bela Mendiga, Erle Stanley Gardner

O Império dos Lobos, Jean Christophe Grangé

Bertrand

Anjos e Demónios, Dan Brown

Joana d’ Arc, Michel de Grèce

A Conspiração do Mal, Christian Jacq


Gradiva

De Amor, Danièle Sallenave

Guia Completo para Compreender os Gajos, Dave Barry
(tradução de Ricardo de Araújo Pereira)

Difel

A Boda Mexicana, Sandra Sabanero

A Vizinha do Lado, Barbara Delinsky


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Teorema

Alice deste Lado do Espelho, Lisa Dierbeck

A Imperatriz Orquídea, Anchee Min

Marilha, Cristovão de Aguiar

Resistir, Ernesto Sábato

Memória das Minhas Putas Tristes, Gabriel García Márquez

Dom Quixote de La Mancha, Cervantes (com ilustrações de Salvador Dalí)

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Ilustração de S. Dali, Dom Quijote de La Mancha, 1946

Moçambique, Ricardo Marques

Duque d’ Ávila e Bolama, José Miguel Sardica

Vitorino Henriques Godinho, Vitorino Magalhães Godinho

Status – Ansiedade, Alain de Botton

Diário de uma Stripper, Leonor Sousa Correia

Xeque-Mate, Sérgio Rocha

Assírio & Alvim

René Leys - A Cidade Proibida, Victor Segalen

Ramo, Luis Marigómez


Bizâncio

Os Factos da Vida, Graham Joyce

Civilização

Príncipe das Nuvens, Gianni Riotta

Um romance em Veneza, Andrea di Robilant

Reencontro com o Passado, Patrícia Tyrrell

Posted by Andreia C. Faria at 09:56 PM | Comments (1)